Olavistas e militares tentam impedir posse de Renato Feder no MEC

Duas alas de sustentação ao governo de Jair Bolsonaro tentam fazer com que o presidente desista da intenção de colocar o secretário de Educação do Paraná à frente do MEC. Argumentos não faltam e a denúncia de sonegação fiscal, publicadas pelo Blog do Take, esta em evidencia  



O presidente Jair Bolsonaro acenou para que Renato Feder assuma o Ministério da Educação. A nomeação não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), como o que estava sendo esperado, na sexta-feira(03), justamente porque o nome do secretário de Educação do Paraná esta sofrendo resistência e sendo criticado na base governista.

O presidente está sendo pressionado por grupos ao seu redor para mudar de opinião. O atual secretário do Paraná, Renato Feder não agradou a uma parte do Executivo, em especial, porque no passado, fez uma doação de R$ 120 mil para a campanha eleitoral de João Doria (PSDB) à Prefeitura de São Paulo — que atualmente ocupa o cargo governador de São Paulo, sendo que o tucano é um dos rivais do presidente.


A ala evangélica do Planalto mostrou-se insatisfeita à possível escolha do presidente, sobretudo por uma suposta proximidade de Feder com o empresário Jorge Paulo Lemann. O criador da Fundação Lemann — associação que colabora com iniciativas para a educação pública e que tem firmado uma série de parcerias com a Secretaria de Educação do Paraná — já criticou o chefe do Executivo publicamente. 

Para essa parte do governo, por mais que o presidente tenha dado um aceno ao setor privado da educação, ao optar por Feder, ele perde a “guerra ideológica” do ministério ao escolher alguém com um perfil diferente do seu.

Bombardeado por todos os lados, Jair Bolsonaro não deu sinais de que vai voltar atrás, mas fez a opção por segurar a confirmação de Feder como novo ministro da pasta. A confirmação poderá acontecer apenas na segunda-feira. 

Nas redes sociais, a militância bolsonarista  vem condenando o nome do secretário de educação do Paraná. Os apoiadores reclamam da postura liberal  do educador. No livro Carregando o elefante — como transformar o Brasil no país mais rico do mundo, de 2007, em coautoria com Alexandre Ostrowiecki, Feder defende bandeiras como a legalização das drogas e a forte redução das Forças Armadas, o que contrasta com os ideais do chefe do Executivo.

Na obra, Feder se mostra a favor da extinção do MEC, justamente a pasta que poderá chefiar, após a confirmação do chefe do executivo, a partir da próxima segunda-feira(06) . Em seu livro, segundo Ostrowiecki e Renato Feder, deveriam ser mantidos apenas oito ministérios. “Muitos ministros acabam não conseguindo nem falar com o presidente e assumem papel decorativo”, argumentaram. As funções dos ministérios da Saúde e da Educação, por exemplo, deveriam ser desempenhadas por agências reguladoras.

O professor apoia a privatização do ensino público, começando pelas universidades. 

Segundo o livro, ela se daria por meio da implantação do sistema de vouchers, em que famílias receberiam uma espécie de cupom ou cartão com o qual os pais fariam a matricula dos filhos em escolas do sistema privado. 

A publicação ainda destaca que a livre iniciativa e a competição pressionariam para a melhoria do ensino, enquanto o Estado se “livraria” de uma atividade, além de ganhar com a venda dos imóveis e terrenos que dão lugar às escolas.

Apesar de tudo, ao assumir a Secretaria de Educação do Paraná, Feder afirmou que mudou de ideia sobre as opiniões apresentadas na obra, incluindo a privatização do ensino, conforme declaração dada à época à Gazeta do Povo. Ao jornal, ele relatou ter estudado o tema com maior profundidade e percebido que não houve vantagens na adoção do modelo no Chile e nos Estados Unidos. “Eu acredito tranquilamente, firmemente, que ensino público tem condições de entregar ensino de excelência. Não vou privatizar, não vou terceirizar e não vou fazer voucher.” Entretanto, como Secretário de Educação do Paraná tem demonstrado outra coisa: sendo apoiador dos vouchers e da privatização da educação paranaense, uma vez que já houve discussões sobre passar a educação de algumas instituições para o grupo Marista.

Apoio
Por sua vez, o perfil empreendedor de Feder e mais próximo ao segmento privado agradou a entidades de ensino particulares. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) afirmou que “ele tem um perfil técnico, jovem e determinado” e “valoriza a aliança da tecnologia em prol da educação e o diálogo com o setor privado, aspectos muito relevantes para o bom direcionamento do ministério”.

“Temos a expectativa de que o ministro esteja atento às políticas de democratização do acesso e de inclusão que precisam ser revistas, implementadas e aprimoradas, especialmente dos estudantes de baixa renda”, informou o comunicado da entidade.

Na mesma linha, a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) destacou que “Renato Feder é um nome com potencial por seu perfil jovem, empreendedor e liberal”. “Sua trajetória, tanto como secretário de Educação do Paraná quanto como docente para Jovens e Adultos, mostra que teremos boas chances de percorrer um caminho frutífero na educação brasileira”, ressaltou.

Já o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior no Estado de São Paulo Semesp (Semesp) destacou que a escolha de Feder “renova as expectativas de que sob sua gestão o MEC consiga superar os difíceis desafios que vêm sendo enfrentados pela educação brasileira”, visto ele já teria “manifestado sua inclinação para políticas públicas mais eficientes, consistentes e objetivas e estratégias pedagógicas mais inovadoras”.

Saída diferente
Depois de sucessivos desgastes com os últimos representantes da pasta — Abraham Weintraub e Carlos Alberto Decotelli, indicados pelas alas olavista e militar do Palácio do Planalto —, Bolsonaro optou por uma saída diferente e espera, assim, amenizar o conflito de ideologias no MEC e “arrumar a casa” da Educação que, segundo ele mesmo disse, “está horrível”.

Olavistas — ala do governo que segue o “guru” Olavo de Carvalho — têm um histórico de sucesso em "frituras" iniciadas nas redes sociais que terminaram em demissão, como a ex-secretária de Cultura Regina Duarte e os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo). Já os militares foram surpreendidos com o convite do presidente Jair Bolsonaro a Renato Feder e querem um nome ligado a eles, que acreditam ter mais força política. Na opinião do grupo, o secretário de Educação do Paraná é um empresário que quer fazer carreira na política, mas não tem experiência.


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Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

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