Fiocruz já produz 2,4 milhões de testes para coronavírus por mês, mas coleta e processamento são gargalos

Especialistas ouvidos pela comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha ações de combate ao coronavírus foram unânimes em defender a testagem em massa da população como estratégia de combate à pandemia de Covid-19. Em reunião realizada por videoconferência na quarta-feira (6), alertaram, porém, sobre a possibilita de falso negativo dos chamados testes rápidos.

Najara Araujo/Câmara dos Deputados
Reunião Técnica por videoconferência - Testes de diagnóstico. Presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica - ABRAMED, Wilson Shcolnik
Deputados conversaram com especialistas por videoconferência.

Os testes moleculares (ou RT-PCR), feitos a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta, possibilitam a detecção do vírus já nos primeiros dias da doença. Já os testes rápidos (ou sorológicos), feitos a partir da coleta de sangue, detectam anticorpos - ou seja, se a pessoa já teve contato com o vírus -, mas apenas cerca de dez dias após o contato.

Vice-presidente de Produção e Inovação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Krieger informou que a capacidade de produção de testes moleculares pela fundação foi ampliada de 58 mil, em março, para 1,2 milhão de testes em abril. Para maio, a expectativa é a produção de 2,4 milhões de testes moleculares. Porém, superada a dificuldade de ampliar a capacidade de produção - com a possibilidade de realizar 10 mil testes por dia no Brasil -, ele afirmou que há outros gargalos.

Em primeiro lugar, segundo Krieger, é preciso formular estratégia para a testagem da população, apontando grupos prioritários. Em segundo lugar, ele aponta ser necessário desenvolver sistemas de coleta e logística para que as amostras cheguem às centrais da Fiocruz de análise dos testes. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, há cinco unidades de análise.

Processamento das amostras
O coordenador de Vigilância em Saúde da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, acrescentou que outro gargalo é o processamento das amostras tanto em laboratórios públicos quanto privados. Conforme ele, o processo de passar a amostra do tubo de coleta (amostra primária) para um tubo menor (amostra secundária), que será inserido no equipamento de análise, é muito delicado, com risco de infecção dos trabalhadores. Isso exige a contratação de muita mão de obra especializada, além de espaço físico. “Até porque parte dos trabalhadores tem adoecido e ficado afastado”, disse. Segundo Marco Krieger, resolvidos todos os gargalos apontados, 40 mil testes poderiam ser realizados por dia.

Outro problema, segundo Rivaldo, é a exigência legal de que a amostra venha acompanhada do CPF do paciente. Ele alertou que a maior parte da população não tem carteira de motorista com CPF, e não acessa o número quando está passando mal. “Corremos o risco de criar gargalo adicional”, opinou.

Descentralização
Relatora da comissão externa, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) ressaltou a importância de descentralização das unidades de análise dos testes e sugeriu o aproveitamento da capacidade de universidades e hemocentros para isso. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acredita que a testagem deve ser prioritária em áreas de alta concentração demográfica, como favelas e áreas periféricas das cidades, onde, segundo ela, “oito pessoas dividem o mesmo cômodo”. Jorge Solla (PT-BA), por sua vez, alertou que os profissionais de enfermagem não estão sendo testados no Brasil e que mais trabalhadores da área já morreram no País do que na Espanha e na Itália juntas, somando 73 ao todo.

Testes rápidos
Presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik destacou que cerca de 15 laboratórios privados também já realizam testes moleculares. Ele estima que de 20 a 25 mil exames estejam sendo feitos por dia nesses laboratórios. Entretanto, chamou atenção para o gargalo do compartilhamento de informações com as secretarias de Saúde. Segundo ele, os laboratórios iniciaram contato com o Datasus para enviar dados para as redes de saúde, mas o processo não está finalizado. Portanto, muitos dos dados dos laboratórios privados não fazem parte das estatísticas oficiais.

Schcolnik foi um dos que chamou a atenção para os possíveis problemas dos testes rápidos. Os falsos negativos, apontou, podem levar pessoas a voltar a circular normalmente, podendo infectar outras. Supervisor médico do Laboratório de Biologia Molecular da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Alessandro Pasqualotto salientou que colher o sangue muito cedo é o problema no caso desses testes. Apenas depois de duas semanas, ele considera a coleta segura.

Rivaldo Venâncio, da Fiocruz, acredita que falta uma orientação adequada sobre o melhor dia para uso do teste a partir do início dos sintomas. “A partir do 10 dia, por exemplo, a possibilidade de detecção de anticorpos será muito maior”, avaliou. Os deputados Delegado Pablo (PSL-AM) e General Peternelli (PSL-SP) sugerem que empresas façam testes com seus funcionários para possibilitar que aqueles que já tiverem contato com o vírus voltem ao trabalho. Já Alexandre Padilha (PT-SP) observou que a Organização Mundial de Saúde só recomenda o afrouxamento das medidas de isolamento social se houver 14 dias de redução sustentada de casos de Covid-19.​

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

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