Em Plenário, deputados criticam mudança em protocolo de cloroquina

Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Ordem do dia para votação de proposta. Dep. Fred Costa (PATRIOTA - MG)
Joice Hasselmann: especialistas dizem que o uso da cloroquina pode gerar mais mortes

Deputados criticaram na quarta-feira (20), durante os debates em Plenário, a alteração do protocolo do Ministério da Saúde que libera o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina até para casos leves de Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS). Até então, os remédios só poderiam ser receitados para casos graves.

A líder do PSL, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), criticou o novo protocolo. “Ouvi especialistas se posicionando contra, dizendo que ela [cloroquina] é temerária, que pode gerar mais mortes. Estamos vendo pessoas que entendem do assunto reprovando esse protocolo”, disse.

Ela comentou que os dois últimos ministros da Saúde não quiseram “colocar a digital” na medida.

O deputado Fábio Trad (PSD-MS) reclamou do que ele chamou de “obsessão” do presidente Jair Bolsonaro em relação ao uso da cloroquina. “A ciência já chegou à conclusão de que se trata de um remédio loteria. Pode curar, mas pode matar. Só isso é suficiente para não ser objeto de política pública”, afirmou.

Porém, o presidente da Frente Parlamentar Mista de Medicina, deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), defendeu a medida. Segundo ele, o texto não é um protocolo médico, mas uma simples orientação. “Nós democratizamos e deixamos mais seguro o uso da hidroxicloroquina”, disse.

Segundo ele, o remédio estava sendo usado nos hospitais de pessoas mais ricas, e os pobres ficavam se automedicando sem orientação. Para Gonçalves, a orientação não fere nenhuma norma do Conselho de Medicina.

Já a deputada Soraya Santos (PL-RJ) afirmou que pacientes que usam a cloroquina para o tratamento de lúpus não têm conseguido encontrar o medicamento por conta da demanda em razão do coronavírus. “Para eles, o remédio é vital.”

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que é vice-líder da Minoria, criticou o protocolo. "Não há redução na carga viral. Todos os médicos sempre tiveram autonomia para o uso. Nenhum quadro técnico assinou esse protocolo", disse a deputada, que é cardiologista.

Segundo ela, foi gasto muito dinheiro público sem licitação para elaboração de cloroquina pelo Exército, sem comprovação científica da efetividade do medicamento.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

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