Especialistas defendem educação para reduzir feminicídios

Waldemir Barreto/Agência Senado
Audiência pública debateu causas do feminicídio e da violência contra mulher
Participantes de audiência pública da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher defenderam nesta quarta-feira (11) a importância da educação para a redução dos casos de violência e feminicídios.

Médica legista da Polícia Civil do DF, Cyntia Gioconda Honorato Nascimento classifica o feminicídio como a ponta do iceberg, e afirma que não é possível combatê-lo sem atacar sua base, que é a violência cotidiana por que passam as mulheres.

Socióloga e representante do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Joluzia Batista  defendeu que algumas discussões sejam feitas desde a escola, como, por exemplo, desigualdade de gênero, machismo e misoginia.

Defensora pública do Distrito Federal, Mayara Lima Tachy defendeu também políticas públicas para a profissionalização de mulheres, para que as vítimas saiam do ciclo de dependência econômica de seus agressores.

Atendimento especializado
Delegada chefe da 6ª Delegacia de Polícia no Paranoá, região administrativa de Brasília, Jane Klébia do Nascimento Silva defendeu atendimento especializado para as vítimas de violência nas delegacias.


"Nós precisamos de um preparo diferenciado para esse atendimento. Quando nós temos policiais que falam ‘polícia é tudo igual, consegue atender do mesmo jeito’. Não consegue". Segundo a delegada, a região pela qual é responsável foi a que contabilizou em 2019 mais casos de feminicídio em todo o Distrito Federal.

A defensora pública federal Rachel Moura lembrou que a violência atinge mais as mulheres negras, mas elas têm mais medo de denunciar. Conforme alguns dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em média 60% das mulheres que sofreram feminicídios no Brasil nos anos 2017 e 2018 eram mulheres negras. "Mas menos da metade das mulheres que vão às delegacias denunciar casos de violência doméstica são negras. Por que isso acontece? Porque há, ainda, um racismo estrutural no nosso País. Especialmente as mulheres negras não acreditam que chegarão na delegacia e serão ouvidas e acolhidas", afirmou Moura.

O número de feminicídios tem seguido o caminho contrário de homicídios e roubos seguidos de morte, que diminuíram no ano passado: um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que, em 2019, houve 1.310 assassinatos decorrentes de violência doméstica ou motivados pela condição de gênero, características do feminicídio. Foi uma alta de 7,2 % em relação a 2018.


Fonte: Agência Câmara de Notícias
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Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

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