Especialistas reivindicam políticas públicas em prol da igualdade étnico-racial

Apesar de representarem 56% da população brasileira, negros estão em desvantagem no mercado de trabalho, no nível de renda, nas condições de moradia, na escolaridade, no acesso a bens e serviços
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Especialistas apontam racismo estrutural no Brasil como causa das desigualdades
Em debate promovido na quarta-feira, Dia da Consciência Negra, pela Comissão de Educação da Câmara, em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa da Escola Pública e em Respeito ao Profissional da Educação, debatedores lembraram dados sobre a desigualdade de oportunidades entre brancos e negros que existe no Brasil.
Apesar de representarem 56% da população brasileira, segundo o IBGE (2019), os negros estão em desvantagem no mercado de trabalho, no nível de renda, nas condições de moradia, na escolaridade, no acesso a bens e serviços, além de estarem mais sujeitos à violência em relação aos brancos.
Professora da faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Catarina Santos lamentou a desigualdade social no País. Para ela, existe um racismo estrutural na sociedade brasileira, que precisa ser combatido com ações efetivas por igualdade étnico-racial.
“A gente precisa garantir educação de qualidade. Isso é fundamental. Precisamos garantir trabalho para a população negra, precisamos garantir saúde, moradia. Ou seja: precisamos garantir políticas públicas para efetivar os direitos que estão na nossa Constituição”, afirmou.
A socióloga Renisia Filice destacou que o Estado precisa avançar na promoção de políticas públicas que eliminem as desigualdades étnico-raciais no País, mas reconheceu algumas conquistas recentes, como a presença de 50% de estudantes negros nas universidades públicas brasileiras, de acordo com pesquisa recente do IBGE.
“São pequenas conquistas - se é que podemos chamar de conquistas, pois, na verdade, é dever do Estado minimizar a desgraça e a mazela que incide sobre a população negra e, inclusive, criada por esse próprio Estado, seja no Brasil colônia, seja no Brasil Império e seja nesse Brasil que nós vivemos hoje.”
A iniciativa do debate foi da deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), para quem o Dia da Consciência Negra leva à reflexão sobre o preconceito e as desigualdades sofridas pela comunidade negra.
“A consciência negra é no momento em que nós ocuparmos os espaços entendendo que todos são iguais perante a lei, que todos têm direitos, têm direito à universidade, têm direito à renda. E nós teremos que nos igualar porque a maioria da população, se não é negra, é descendente direto de negro; então, nós não podemos excluir essas pessoas. Então consciência negra é ter a consciência da igualdade das pessoas que aqui vivem”, disse a deputada.
A professora Neide Rafael, da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal e Entorno, acrescentou que a data dá visibilidade ao patrimônio construído pelos povos africanos e seus descendentes e promove a valorização da influência africana na cultura brasileira.
Compartilhar por Whatsapp

Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

0 comentários :