Artistas negros ressaltam importância do hip hop no combate ao racismo

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Realleza: usamos o hip hop para falar de consciência negra e racismo com os jovens
O hip hop e o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), data que lembra a morte de Zumbi de Palmares, foram temas de audiências convocadas pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Duas reuniões receberam artistas negros e foram acompanhadas por música e protesto.
Nascido nas periferias dos Estados Unidos, o hip hop é a mistura de grafite, break dance e rap. Por sua luta pela igualdade e denúncias contra a discriminação racial, o hip hop tem papel de destaque no mês da consciência negra.
“O hip hop é um movimento completamente ligado ao povo negro. Principalmente, ao povo de periferia. Ele nasce com uma proposta de lutar contra o racismo”, disse o produtor musical e rapper Russo APR.
A rapper paulistana Preta Rara também ressaltou a importância do hip hop na luta contra o racismo. “O hip hop me educou e me ajudou a ser o que eu sou. Através do hip hop que eu fui estudar história. Através do hip hop que eu aceitei meu cabelo, meu corpo, minha resistência. O racismo está muito longe de acabar”, afirmou.
Em seus discursos e rimas, a rapper Realleza, de Brasília, destaca a relevância do hip hop como uma arte que conscientiza jovens negros da periferia. “Ele é o instrumento que usamos para poder falar de consciência negra com os jovens. E poder falar sobre racismo também é muito importante, porque muitos jovens das periferias estão sofrendo com o racismo e nem sabem o que é o racismo. Então, o hip hop é esse meio, é esse fio condutor da informação e do empoderamento negro e periférico dentro da quebrada.”
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Preta Rara: "através do hip hop que eu aceitei meu cabelo, meu corpo, minha resistência"
Representatividade
Na audiência, convidados e deputados pediram mais políticas que amparem negros, além de mais representatividade negra no poder público. De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas eleições, dos 513 deputados eleitos, 20% se consideram pardos e apenas 4% se declararam pretos.
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) argumentou que a proporção de negros na Câmara dos Deputados é pequena, comparada à proporção de negros na população brasileira, que corresponde a mais da metade. “Uma população de 54 milhões não pode estar excluída dos espaços políticos. Então, trazer para cá é trazer para o espaço em que se discute lei, em que se toma decisão. Aqui, se toma decisão para mais de 200 milhões de brasileiros”, declarou.
A deputada Áurea Carolina (Psol-MG) ressaltou que a luta contra o racismo deve ser todos os dias. “É uma data [20 de novembro] para a gente trazer as nossas conquistas e as nossas lutas para o debate público com uma força ainda maior. Lembrando que a resistência negra é todos os dias, é o ano inteiro, porque o racismo não descansa”, afirmou.
Fonte: Agencia Câmara

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Julio Take

Júlio Take, nasceu em Maringá-Paraná em 1967. Teve a primeira experiência profissinal em 1986, no O Jornal de Maringá. após essa primeira experiencia, trabalhou um tempo em Cascavel e Foz do Iguaçu. Após alguns anos militando na imprensa da região oeste do estado do Paraná, foi convidado a integrar a equipe da Agência de Notícias News.

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